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Um portuga abrasileirado

Filipe Albuquerque é um português com larga experiência na pista – e com brasileiros. Já nome estabelecido nas corridas de longa duração, o piloto comentou sua carreira, futuro e a relação com o Brasil

Filipe Albuquerque fala português, adora os pilotos brasileiros e até mesmo já venceu em Interlagos, mas não nasceu no Brasil. O piloto originário de Coimbra, em Portugal, tem uma relação íntima com o país e é daqueles que já se sente em casa em terras tupiniquins.

Aos 34 anos, o ‘portuga’ coleciona passagens por diversas categorias ao redor do mundo. Desde carros de fórmula como A1GP e GP2, até carros de turismo, como DTM e Blancpain Series, a experiência é longa com esse piloto.

Mas sua verdadeira vocação estaria nas categorias de longa duração. Atualmente, corre no SportsCar, onde conseguiu cinco vitórias nos últimos quatro anos, European Le Man Series, onde tem sete triunfos em quatro campeonatos, e Mundial de Endurance, ganhando três vezes em três anos, é no endurance que tem se estabelecido.

E Albuquerque ainda tem uma relação especial com o Brasil: já dividiu diversos carros em diferentes categorias com pilotos do país. Então, o GRANDE PREMIUM conversou com o competidor para saber mais sobre a carreira, relação com brasileiros e próximos planos.
 

Filipe Albuquerque (Filipe Albuquerque (Foto: Reprodução))

 

O ENDURANCE

Em 2019, o competidor disputou sua segunda temporada completa do SportsCar, categoria norte-americana de corridas de longa duração. Defendendo a Mustang Sampling Racing, conseguiu um pódio em Sebring e uma vitória em Long Beach. O resultado final foi a sétima colocação da classificação com 258 pontos somados.

Ao fazer um balanço do ano, admite que poderia ser melhor, já que tinha carro competitivo para isso. “Essa temporada foi um pouco de altos e baixos, com potencial para mais, mas muitos azares. Na última prova, estávamos em terceiro e tivemos um problema de um adesivo colado na entrada de ar, então perdemos 45s”, fala ao GRANDE PREMIUM.

“Mesmo assim, fomos para terceiro a 20s do primeiro com bom andamento, muito bom andamento, mas alguns azares. Portanto, não atingi os resultados que gostaria de ter atingido, em Daytona, como já disse, a parada foi uma coisa completamente de nada, mas que tirou a chance pela vitória. Enfim, um dia vai virar e o importante continuar com o pé embaixo que uma hora o resultado vai vir”, continua.

 

(Filipe Albuquerque (Foto: Reprodução))

E para 2020 os planos já estão fechados. Além de seguir na categoria norte-americana tendo Felipe Nasr e Pipo Derani como companheiros, ainda vai correr também na Europa e também em corridas de longa duração, algo que mostrou ser sua vocação. “Já fechei no IMSA para fazer as corridas longas com mais dois brasileiros, Nasr e Dirani, então temos uma boa equipe capaz de ganhar em Daytona, como as 12 Horas de Sebring, o campeonato de resistência sem dúvida”, fala.

“Fechei também para fazer o campeonato da Europa de resistência que se chama European Le Mans Series, então vou estar ocupado aí. E também estou terminando o Mundial de Endurance com o LMP2 que acaba em Le Mans e a ideia é ganhar a corrida, é claro”, segue.

Inclusive, no último final de semana, Albuquerque brilhou no Mundial de Endurance, onde corre na categoria LMP2 pela United Autosports. Disputando as 8 Horas do Bahrein, alcançou a vitória da categoria.

Já partilhei carro com muitos brasileiros e sempre gostei muito

COM OS BRASILEIROS

Ver Filipe falando do Brasil é algo que chega a tocar. O ‘portuga’ mostra ter bastante carinho não só com o país ou com Interlagos, de onde tem ótimas memórias, mas também dos pilotos do país, com quem constantemente divide as pistas e também os carros.

Um belo exemplo disso é Rubens Barrichello. A dupla foi companheira da Corrida de Duplas da Stock Car em 2018, mostrando grande entrosamento desde o início. E a aposta do titular da Full Time se mostrou certeira: os companheiros terminaram a corrida na segunda colocação, atrás apenas de Daniel Serra/João Paulo de Oliveira.

“Fiquei logo com o bichinho de estar aqui no Brasil. Minha primeira experiência foi muito boa, minha relação com o Rubinho é muito boa também, somos amigos hoje em dia. Portanto, vir para cá outra vez, para o Brasil, para Interlagos, estou a procura dessa felicidade, desse divertimento que é andar com um carro de corrida e querer um pódio”, diz ao relembrar da experiência.

Mas o campeão de 2014 da categoria brasileira não é o único tupiniquim com quem Albuquerque correu. A lista é extensa, contando com Christian Fittipaldi, Bruno Senna e, como já disse anteriormente, com Felipe Nasr e Pipo Derani chegando em breve.

Barrichello e Albuquerque alcançaram o pódio na Corrida de Duplas (Filipe Albuquerque e Rubens Barrichello (Foto: Fernanda Feixosa))

“Tenho tido uma experiência muito boa [com pilotos brasileiros]. Já corri também com o Bruno Senna, tenho tido uma grande experiência com brasileiros, sempre nos damos muito bem. Acho que tem muito a ver também com a cultura, como nós fazemos as coisas e tudo mais. Portanto, tenho gostado bastante e já são muitos brasileiros que vou partilhando e carro, nenhum deles nunca falhou comigo e sempre gostei muito”, comenta.

E falar a mesma língua que o parceiro ajuda em alguma coisa? Bem, em algo bem específico, como conta o português. “Às vezes, o que ajuda, é quando queremos falar qualquer coisa em português para que o nosso colega de equipe não perceba, aí sim, aí ajuda o idioma. Falamos o que temos que falar sem o colega do lado perceber”, brinca.

Filipe ainda fez parte de um grande momento para o esporte a motor brasileiro: a aposentadoria de Christian. O piloto lamenta o desfecho da prova, pois, com problemas, cruzaram a linha de chegada em Daytona apenas na sétima colocação. Em 2018, por exemplo, havia conseguido a vitória.

“Foi uma pena, pois o Christian merecia mais. Infelizmente tivemos um problema no pit-stop, no farol, isso nos fez perder muitas voltas. Mas tínhamos um carro muito competitivo, tinha certeza que podíamos brigar pela vitória. Foi emocionante, mas pena o resultado com essa grande carreira que o Christian fez, acho que é um dos poucos pilotos que fez tudo. Então foi interessante para ele, mas foi uma pena essa última despedida nas 24 Horas de Daytona”, lamenta.

 

E o Brasil foi bastante generoso, mais uma vez, com Albuquerque. O piloto participou da etapa final da Porsche Endurance Series ao lado de Vitor Baptista. Antes da largada, a roda do carro da dupla acabou se soltando, mas dando a volta por cima, conseguiram escalar o pelotão até garantir a vitória dos 500 Km de Interlagos.

O que o gajo achou da categoria monomarca? “Gostei muito, é uma grande organização, os carros estão muito bem preparados e estou adorando estar aqui no Brasil mais uma vez. Tem muita gente aqui também pelo que estou vendo, gostei de tudo”, diz.

E como foi dividir o carro com Baptista, representante da Academia Shell Racing? “Foi bom. Guiamos mais ou menos no mesmo estilo e isso ajuda na nossa afinação também”, encerra.

 

(Filipe Albuquerque (Foto: Reprodução))

Albuquerque alcançou a vitória com Vitor Baptista na Porsche Endurance Series (Filipe Albuquerque (Foto: Reprodução))

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