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Lado a Lado

Período de seca

Sem vencer desde o GP da Holanda de 2017, Valentino Rossi igualou no GP da Austrália sua maior seca na MotoGP. Tal qual no período entre Sepang 2010 e Assen 2013, já são 44 corridas sem o #46 no topo do pódio

 

Valentino Rossi não vive lá sua melhor fase na MotoGP. Sem vencer desde o GP da Holanda de 2017, o #46 igualou em Phillip Island sua maior seca na classe rainha do Mundial de Motovelocidade.

No fim de semana em que disputou seu 400º GP do Mundial, Rossi fez uma ótima largada e até chegou a liderar o GP da Austrália, mas, sofrendo com desgaste de pneus e, mais ainda, com a falta de potência do motor Yamaha, o italiano escorregou no pelotão e recebeu a bandeirada apenas na oitava colocação, 15s841 atrás de Marc Márquez, o vencedor.

Assim, o italiano chegou a 44 GPs sem vencer, igualando a marca registrada entre o GP da Malásia de 2010 e o GP da Holanda de 2013.

Apesar das semelhanças, esses dois períodos contam com diferenças fundamentais. A primeira estiagem, por exemplo, engloba o período que Rossi passou na Ducati. 

Após sete anos de vitórias com o time de Iwata, Rossi decidiu arriscar com um projeto 100% italiano, mas a aventura em Borgo Panigale deu mais do que errado. Nas 35 corridas que disputou com a Desmosedici, Valentino conseguiu apenas três pódios ― foi duas vezes segundo e uma vez terceiro.

Naquela época, a Ducati era muito diferente da atual. Faltava competitividade ao projeto comandado por Filippo Preziosi e, sem esperanças de uma mudança de cenário, Rossi arranjou um caminho para voltar para casa. 

 

Primeira seca da carreira incluiu anos de Rossi na Ducati (Valentino Rossi (Foto: Ducati))

 

No reencontro com a YZR-M1, Rossi precisava reconstruir sua boa forma, mas começou o ano com um segundo lugar no GP do Catar, abertura da temporada. Depois, foram cinco corridas de resultados discretos, até a vitória em Assen.

Nos dois anos seguintes, Rossi foi presença constante no pódio e, em 2015, chegou a disputar o título com Jorge Lorenzo até a corrida final, passando a maior parte do ano no topo da tabela de classificação. 

Em 2016, Rossi ficou fora do pódio em apenas oito das 18 etapas, além de somar mais dois triunfos. No entanto, foi a partir daí que a Yamaha entrou em uma fase mais difícil, com as vitórias minguando mais e mais.

Enquanto 2016 viu seis vitórias do time dos três diapasões ― quatro com Jorge Lorenzo e duas com Rossi. No ano seguinte, foram quatro ― três com Maverick Viñales e uma com Valentino. Em 2018, o ex-#25 venceu uma única corrida, assim como em 2019 ― ainda que restem duas corridas para o fim da temporada (Malásia e Valência).

Outra diferença neste segundo período de jejum de Rossi diz respeito ao número de pódios. Na primeira seca, Rossi esteve no top-3 em sete oportunidades ― quatro vezes em segundo e três em terceiro ―, enquanto que no jejum atual são nove top-3 ― quatro vezes em segundo e cinco vezes terceiro. 

Aos 40 anos, é de se imaginar que a performance de Rossi não seja a mesma de outrora, mas o ponto comum das duas grandes secas é o déficit da moto. Ainda que a Yamaha de hoje não esteja no mesmo nível da Ducati daquela época, a YZR-M1 tampouco é a mesma de outrora.

Com mais um ano de contrato, resta saber se a Yamaha vai conseguiu resgatar a M1 e se Rossi vai conseguir tirar proveito de uma eventual melhora. 

 

O atual contrato de Rossi com a Yamaha é válido até 2020 (Valentino Rossi (Foto: Yamaha))

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