Dallara IR-18 x McLaren MCL34

Aproveitando o retorno da McLaren à Indianápolis, comparamos os atuais carros da Fórmula 1 e da Indy

Renan Martins Frade, de São Paulo

Os mundos voltam a colidir em 2019. É que a McLaren, a tradicional equipe da Fórmula 1, retorna para as 500 Milhas Indianápolis em busca de três grandes marcas: fazer de Fernando Alonso o segundo piloto da história a conquistar a Tríplice Coroa do Automobilismo (depois de Graham Hill); voltar a vencer no Brickyard após 43 anos; e encerrar o jejum de equipes europeias na prova, que dura os mesmos 43 anos. 

Na última terça (9), no oval do Texas, Alonso deu as primeiras voltas no bólido da Indy - que traz significativas mudanças aerodinâmicas em relação ao modelo que ele correu há dois. Por isso, como fizemos em 2017, vale novamente o comparativo: como o MCL34, da McLaren na F1, fica lado a lado do Dallara IR-18 de Indianápolis? 

Comparativo entre as imagens renderizadas do MCL34 e do IR-18 divulgadas pela McLaren
Divulgação/montagem

O IR-18 é, na realidade, uma evolução do DW-12 (agora chamado, nas especificaçõe técnicas da categoria, simplesmente de IR-12, deixando de lado a homenagem ao falecido Dan Wheldon), com um novo kit aerodinâmico padrão entre todos os times - esse sim, na prática, chamado de IR-18. Parece confuso? Um pouco.

Uma das novidades, de caráter mais estético, é uma diminuição na altura da tampa do motor, seguindo o visual visto na CART nos anos 1980 e 1990. As asas também ficaram significamente menores na configuração para os ovais, além dos carros perderem aquela proteção atrás das rodas traseiras. 

Vale lembrar que, na Indy, todos as equipes usam os mesmos chassis, com duas opções de motores disponíveis - ambos V6 turbo de 2,2l. Depois de ter usado os da Honda em 2017 e de encerrar a parceria com a Andretti, o time de Woking retorna ao Brickyard com motores Chevrolet.

Já o MCL34 é, em essência, uma evolução dos dois últimos carros da McLaren, criados a partir do regulamento aerodinâmico introduzido na Fórmula 1 em 2017 - ainda que tenha na atual temporada tenha entrado em vigor um diâmetro maior nas asas traseira e dianteira, com esta última também perdendo elementos. O motor continua tendo as mesmas especificações desde 2014 - V6 turbo também, mas em essência bem diferente em relação ao da outra categoria. Eles são híbridos, com unidades de recuperação de energia cinética (MGU-K) e de energia térmica (MGU-H). A novidade é que a equipe inglesa corre desde o ano passado com usinas da Renault.

Sainz com o MCL34 nos testes da F1
McLaren

Pela primeira vez em mais de dez anos temos um comparativo direto entre os dois carros. É que a Indy correu, já nesta temporada de 2019, no Circuito das Américas, em Austin, Texas, que é a atual sede do GP dos Estados Unidos na Fórmula 1. Will Power, da Penske, fez a pole com o tempo de 1m46s018, quase 14s mais lento do que Lewis Hamilton, da Mercedes, pole no GP dos EUA em 2018. O tempo de Power foi, ainda, um pouco mais de 10s mais lento que o último no grid de largada da F1 em Austin, Stoffel Vandoorne, da… McLaren.

É bom lembrar que os carros da Indy são feitos também para correr em ovais, enquanto os F1 são estritamente construídos para circuitos mistos. Sem falar que o modelo de chassi único nos EUA diminui a evolução e os orçamentos são infinitamente menores. Os pneus diferentes são outra parte importante nessa equação. 

Essa maior disputa entre as equipes europeias dificulta o comparativo - enquanto os dados da IndyCar são públicos e disponibilizados no site oficial da categoria, as equipes da Fórmula 1 escondem diversos dados de seus carros, incluindo as dimensões. Por isso, no caso do MCL34, alguns números são apenas estimados.

Isso não impede de comparar os dados técnicos que temos, revelando as reais diferenças entre os carros, não é?

Dallara IR-18

Material do chassis: fibra de carbono e kevlar

Comprimento: 5,12m

Largura: 1,94m no máximo, 1,91 no mínimo (em ovais o mínimo é 1,92m, enquanto o máximo é de 1,95), medido do lado externo da roda

Altura: 1,01m

Entre-eixos: 2,98m a 3,08m

Rodas: 15 polegadas

Motor: Chevrolet Indy V6 (V6 em 90º, biturbo de 2,2l), montado longitudinalmente

Potência máxima: 700 hp - 575hp em speedways como Indianápolis, 625hp em ovais de 1,5 milha e 675hp em circuitos mistos e ovais curtos (+ 60hp com push-to-pass)

Rotação máxima: 12,2 mil RPM 

Transmissão: 6 velocidades, semiautomática + ré

Freios: fibra de carbono

Peso total: 717kg em Indianápolis e ovais de 1,5 milha; 730kg em ovais curtos e circuitos mistos, excluindo 84kg equivalentes ao peso do piloto ou combustível.

Velocidade média máxima: 369,5 km/h (atigindo por Ed Carpenter na pole da Indy 500 de 2018)

Melhor tempo no Circuito das Américas, Austin, Texas: 1m46s018  (Will Power, em 2019)

McLaren MCL34 

Material do chassis: fibra de carbono

Comprimento: não divulgado (estimado em 5,2m)

Largura: não divulgada (máximo de 2m, excluindo os pneus, pelo regulamento)

Altura: não divulgada (por regulamento, a altura máxima não pode ser superior a 0,95m)

Entre-eixos: não divulgado (estimado em 3,55m)

Rodas: 13 polegadas

Motor: Renault E-Tech 19 1.6 L (Híbrido V6 em 90º, turbo de 1,6l com injeção direta de combustível, com MGU-K e MGU-H), montado longitudinalmente

Potência máxima: não divulgada (estimada em 1000hp de potência total na classificação, incluindo MGU-K e MGU-H)

Rotação máxima: 15 mil RPM

Transmissão: 8 velocidades, semiautomática + ré

Freios: disco de carbono com pinças de aço

Peso total: 743kg (incluindo o piloto, sem contar combustível)

Velocidade máxima registrada: 354,2 Km/h (GP da México de 2018, com o MCL33; recorde da atual F1: 372,5 Km/h em linha reta com a Williams de Valtteri Bottas no GP do México de 2016)

Melhor tempo no Circuito das Américas, Austin, Texas: 1m35s294 (Fernando Alonso, feito com o MCL33 no GP dos EUA em 2018).