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Lado a Lado

E se a F1 2019 tivesse os problemas de 2020?

Sim, Lewis Hamilton ainda seria campeão de 2019 nadando de braçada, mesmo num cenário de sete primeiros GPs cancelados. Só que disputa pelo título seria contra Valtteri Bottas, Charles Leclerc e Max Verstappen até penúltima prova

Corridas canceladas, calendário virado de cabeça para baixo, incerteza sobre o futuro. Todos esses são problemas que assolam 2020, temporada que há de entrar para a história como a afetada pela pandemia do coronavírus. Dentro do microcosmo da Fórmula 1, quase irrisório perto dos problemas reais do mundo, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer no campeonato, se é que ele vai existir. As previsões feitas na pré-temporada de Barcelona correm risco de se esvair, assim como um campeonato mais curto pode pregar peças. São dramas únicos de 2020, os quais tem consequências ainda imensuráveis.

Para dar uma ideia de como as reviravoltas no calendário podem impactar 2020, o GRANDE PREMIUM volta 12 meses no tempo. Vamos supor que a pandemia tenha acontecido no começo de 2019, forçando o campeonato a começar no GP da Áustria, assim como possivelmente acontecerá em 2020. Como isso afeta a pontuação de pilotos e equipes? A briga pelo título ganha nova cara?

E se a temporada 2019 tivesse começado com a vitória de Verstappen na Áustria? (Divulgação/Red Bull Content Pool)

GP da Áustria

Na temporada 2019 como bem conhecemos, Max Verstappen conseguiu uma vitória marcante. Superando Charles Leclerc no apagar das luzes, veio o primeiro triunfo da parceria Red Bull-Honda. Isso, todavia, pouco afetou o campeonato: Lewis Hamilton seguiu líder, com 31 pontos de vantagem sobre Valtteri Bottas.

Num possível campeonato impactado por uma pandemia, Verstappen abriria a temporada liderando o Mundial. Com a Ferrari em segundo, surgiria a expectativa de uma briga apertada com a Red Bull. A Mercedes seria alvo de críticas, passando o fim de semana austríaco sem se destacar.

Lewis Hamilton triunfou na Inglaterra, mas seguiria sem folga num campeonato paralelo

GPs da Inglaterra e da Alemanha

O campeonato normal teve a Mercedes ainda muito forte em Silverstone, mas isso em um caso raro de briga exclusiva entre Bottas e Hamilton trazendo uma corrida realmente boa. Red Bull e Ferrari tiveram rendimentos muito próximos, fazendo Verstappen duelar com Leclerc e Vettel. Na Alemanha, duas semanas depois, caos: a melhor corrida do ano teve grande vitória do holandês, isso enquanto quase todos sofriam com a pista molhada. A Mercedes mal pontuou, mas seguia tranquila no campeonato.

No campeonato modificado, foram semanas ótimas para Verstappen. O holandês se tornava o piloto mais constante nas primeiras três provas, o que significava abrir 24 pontos de vantagem sobre o novo vice-líder, Hamilton. Bottas, Leclerc e Vettel também seguiam próximos, todos menos de 30 tentos atrás de Max. Gasly seguia decepcionando, atrás de Sainz.

A vitória em Spa seria o trampolim para uma reação de Leclerc na temporada curta (Divulgação/Ferrari)

GPs da Hungria e da Bélgica

Num mundo sem coronavírus, o GP da Hungria voltou a ser um passo importante para o hexa de Hamilton. O britânico não só levou a melhor em embate com Verstappen como também viu Bottas terminar apenas em oitavo. Na Bélgica, um novo resultado que não causou lamento algum: mesmo incapaz de superar Charles Leclerc, Lewis foi segundo e voltou a abrir vantagem sobre Valtteri. A folga na liderança já estava em 65 pontos.

Numa calendário pandêmico, as corridas seriam péssimas para Verstappen. Nem tanto pelo segundo lugar na Hungria, mas sim pelo abandono na largada na Bélgica. O resultado fez evaporar a vantagem do holandês, que deixou Spa com os mesmos 81 pontos do britânico. Só que o sonho do título não era exclusividade dos dois: Leclerc e Vettel, respectivamente com 70 e 58, seguiam com chances reais. Só Bottas, com 52, que começava a virar coadjuvante.

Vettel até sonharia após vencer em Singapura, mas seguiria distante do título (Sebastian Vettel e a vitória em Singapura (Foto: Ferrari))

GPs da Itália e de Singapura

Três vitórias seguidas da Ferrari em um ano que parecia destinado ao fracasso. A temporada 2019 reservou esse momento: primeiro foi Leclerc que triunfou em Monza, levando a melhor em combate direto com Bottas e Hamilton. Depois foi Vettel, e com grande surpresa: o triunfo veio em Singapura, pista que teoricamente não ajudava a SF90, após uma estratégia que causou bastante controvérsia. Mesmo com tudo isso, o campeonato de Lewis seguia tranquilo: a vantagem sobre Bottas já estava em 65 pontos, e com seis provas para o fim.

Em um calendário pandêmico, as provas seriam de grande impacto sobre o campeonato: a vitória e o segundo lugar bastaram para Leclerc assumir a liderança, somando 113 pontos. Hamilton, com 109, ficava novamente no prejuízo, mesmo que pequeno. Verstappen, sem repetir atuações brilhantes de antes, perdeu fôlego e somou 100. Vettel, mesmo vencendo em Marina Bay, pagou caro pela rodada em Monza e ficou para trás, com 83. Bottas, com 80, seguia ainda mais distante.

A Mercedes voltou a vencer e daria passos largos rumo ao título no campeonato pandêmico (F1 2018, GP DO JAPÃO; SUZUKA; LEWIS HAMILTON; VALTTERI BOTTAS; MERCEDES; AFP)

GPs da Rússia e do Japão

A grande fase da Ferrari tinha de chegar ao fim em algum momento, e isso começou a acontecer em Sóchi. Uma corrida que os tifosi pareciam ter sob controle acabou em decepção após dramas com ordens de equipe, erros de estratégia e problemas mecânicos. Aquele combo tradicional. Em Suzuka, a derrota veio essencialmente por falta de ritmo: depois de uma largada ruim, o pole Vettel pouco pôde fazer contra os carros da Mercedes, que chegava agora a duas vitórias seguidas. Com Hamilton triunfando na Rússia e Bottas encerrando jejum no Japão, a situação no Mundial de Pilotos pouco mudou. O hexa era questão de tempo.

Num mundo alternativo, as provas marcaram a reação da Mercedes. Leclerc, que bateu em Verstappen na largada em Suzuka, fez um favorzão para Hamilton: o britânico assumiu a liderança com 151 pontos, uma folga considerável sobre os 136 de Leclerc. Até Bottas despertou, chegando aos 123. Verstappen e Vettel, com um abandono cada, estacionaram em 112 e 101.

Mesmo sem vencer em Austin, Hamilton ficaria próximo do hexa (Lewis Hamilton (Foto: AFP))

GPs do México e dos Estados Unidos

Se os GPs anteriores já indicavam uma reação da Mercedes, a rodada norte-americana sacramentou. O GP do México até teve Ferrari incomodando em uma prova com reviravoltas, mas a vitória de Hamilton veio mesmo assim. Uma semana depois, nos Estados Unidos, não deu nem graça: uma atuação dominante dos prateados rendeu vitória de Bottas e, com Hamilton em segundo, consolidou o hexacampeonato com duas provas de antecedência.

Num mundo paralelo, o momento seria decisivo para o campeonato também. As novas vitórias da Mercedes, aliadas aos altos e baixos de Ferrari e Red Bull, deixaram Hamilton em situação mais confortável. O britânico chegou aos 194 pontos, com vantagem clara sobre Bottas, vice-líder com 163. Leclerc seguia no páreo, com 162, mas em situação adversa. Verstappen e Vettel, respectivamente com 135 e 119 pontos, estavam oficialmente fora da luta pelo caneco.

O toque entre Leclerc e Vettel teria dado o hexa a Hamilton no Brasil (Sebastian Vettel e Charles Leclerc)

GPs do Brasil e de Abu Dhabi

A F1 foi a Interlagos em 2019 já em clima de fim de feira. Os títulos estavam definidos e o que importava era apenas ter boas atuações. No fim das contas, o que rolou mesmo foi um corridão: em uma prova repleta de reviravoltas e com pilotos de ponta se autodestruindo, Verstappen triunfou pela terceira vez no ano. A corrida teve ainda os primeiros pódios de Gasly e Sainz, representando o pelotão médio. Em Abu Dhabi, a temporada se encerrou daquele jeito: uma corrida monótona e amplamente dominada por Hamilton.

No campeonato alternativo, as coisas seriam um pouco mais interessantes. A quebra de Bottas no GP do Brasil deixou apenas Leclerc com chances de levar a disputa para Abu Dhabi. Seria necessário somar sete pontos a mais que Hamilton, o que já seria missão difícil. Virou impossível após o toque com Vettel, causando abandono duplo. Em um choque entre duas Ferrari, Hamilton confirmou o título. O toque em Albon e consequente punição, poucas voltas depois, até custou o pódio a Lewis. Entretanto, os problemas alheios bastavam para passear em Abu Dhabi. No Oriente Médio, ficou definido o vice de Verstappen, piloto de melhor performance nas últimas duas provas. Leclerc levou o terceiro convite para a festa de gala da FIA, enquanto Bottas e Vettel fecharam o Mundial respectivamente em quarto e quinto.

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