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Os dois rodeios de Alonso na Renault

O homem voltou! Fernando Alonso está de volta para a terceira passagem pela Fórmula 1 e a terceira na Renault. O GRANDE PREMIUM lembra como foram as duas primeiras

Fernando Alonso nos dias de glória da Renault

A última quarta-feira trouxe uma novidade com cara de anúncio retrô para a Fórmula 1: Fernando Alonso está de volta às fileiras da Renault. Fora do Mundial desde o fim de 2018 e prestes a completar 39 anos de idade, o bicampeão mundial retoma ao grid e a uma casa em que brilhou como em nenhum outro lugar. Com isso em mente, o GRANDE PREMIUM destaca as duas passagens anteriores de Fernando pela fábrica francesa.

Alonso entrou na Fórmula 1 pelas portas de Giancarlo Minardi, em 2001 – e, aliás, é o único piloto ainda no grid com passagem na tradicional pequena italiana. O ano seguinte marcou a primeira vez que Alonso saiu no grid da Fórmula 1, mas passou a ser piloto de testes da Renault. Aos 21 anos, no começo de 2003, assumiu o papel de titular no time.

Logo no primeiro ano, tirou muito do que o carro tinha a oferecer e dominou Jarno Trulli, companheiro de equipe que já contava com bons anos no currículo. Alonso fez 55 pontos contra 33 de Trulli, foi a três pódios e, de quebra, venceu pela primeira vez na F1. Na Hungria, fez a pole e venceu. “Um sonho que se torna realidade”, disse o espanhol. Era só o começo.

Alonso não venceu em 2004, mas superou o companheiro com certa facilidade novamente – nas três últimas corridas, Trulli perdeu a vaga para Jacques Villeneuve. Alonso foi a quatro pódios e morou entre as cinco primeiras posições. Terminou o campeonato com o quarto lugar, atrás apenas da dupla da Ferrari e de Jenson Button numa rápida BAR.

Campeão da F1 em 2005

O ano de 2005, sim, era o da glória. A equipe chefiada por Flavio Briatore estava pronta. Produziu um carro maravilhoso e apostou em Alonso, agora com Giancarlo Fisichella como um honesto segundo piloto. Fernando fez a alonsomania explodir de vez. Foi ao pódio na Austrália e venceu as três provas seguintes. Após cinco títulos seguidos de Michael Schumacher, estava claro que a Ferrari não conseguiria competir com a Renault.

Assim foi. Não que Alonso tenha andado sozinho: Kimi Räikkönen, então na McLaren, incomodou e venceu as mesmas sete corridas que o espanhol, mas Alonso foi mais consistente. Com 133 pontos contra 112 do rival e apenas 62 de Schumacher, era campeão mundial.

Em 2006, entretanto, a Ferrari voltou a aparecer. Assim como Räikkönen em 2005, Schumacher ganhou as mesmas sete corridas de Alonso, mas não foi tão regular. Fernando marcou 13 pontos mais. Uma delas, já na reta final do campeonato, memorável. Felipe Massa liderava na Turquia, enquanto Alonso vinha em segundo, pressionado por Schumacher. Uma ultrapassagem de Michael podia significar vitória, porque o jogo de equipe era realidade. Mesmo com carro ligeiramente inferior, segurou o heptacampeão e manteve as posições.

Alonso e Schumacher no duelo Renault e Ferrari

Passagem #1

Período: 2003-06
Temporadas: quatro
GPs: 70
Vitórias: 15
Pódios: 37
Poles: 15
Pontos: 381
Títulos: 2
Companheiros: Jarno Trulli, Jacques Villeneuve e Giancarlo Fisichella

Sabendo que a Renault não tinha sequer orçamento para manter o domínio por muito tempo, partiu para a McLaren no ano seguinte. A estreia de Lewis Hamilton culminou com um bastidor explosivo. Frustrado, Alonso fracassou e definiu pelo retorno à Renault no ano seguinte. Desta vez, porém, sabia que não brigaria por títulos.

Nos dois anos seguintes, sequer se aproximou da briga, mas aparecia vez ou outra para deixar claro que era, sim, uma estrela. Àquela altura, talvez ainda o melhor piloto do grid. Venceu duas corridas naquele ano, provas seguidas: Singapura e Japão, já na parte derradeira do campeonato.

A de Singapura, claro, foi a famosa prova do ‘Singapuragate, em que a Renault ordenou que Nelsinho Piquet, então companheiro de Alonso, batesse propositalmente para causar intervenção do safety-car quando o bicampeão liderava. Alonso realmente se beneficiou e venceu, o que acabou influenciando de maneira grave no campeonato. Pole daquela corrida, Massa comandava e, embora tivesse sofrido com um erro da Ferrari nos boxes, ainda estaria na luta por bons pontos em condições normais. A mutreta fez Felipe terminar zerado. Mais tarde, perdeu o título para Hamilton por um único ponto. Os envolvidos no golpe juram de pé junto que Alonso nada sabia.

Alonso foi quinto colocado do campeonato de 2008 e nono em 2009, quando perdeu rendimento. O carro era pior também: Piquet foi substituído no meio do ano, zerado, e Romain Grosjean chegou para também marcar zero ponto. Alonso ainda conseguiu voltar ao pódio, na mesma Singapura, mas foi um dos poucos brilharecos.

Fernando Alonso durante a temporada 2008

Passagem #2

Período: 2008-09
Temporadas: duas
GPs: 35
Vitórias: duas
Pódios: quatro
Poles: uma
Pontos: 87
Títulos: nenhum
Companheiros: Nelsinho Piquet e Romain Grosjean

A Ferrari esperava o espanhol em 2010 e, embora tenha se aproximado do título já no primeiro ano e sido vice três vezes, não atingiu o objetivo final. Após as relações em Maranello azedarem, voltou à McLaren que começava uma nova parceria para usar motores Honda em 2015. Alonso não facilitou, causou problemas e foi fundamental na decisão de dispensar os japoneses em 2017 e receber motores… Renault. Ao menos para Alonso, a nova fase durou somente um ano, quando deixou o Mundial.

Após ser campeão mundial de endurance, vencer as 24 Horas de Le Mans, andar as 24 Horas de Daytona, completar o Rali Dakar e ser bumpado da Indy 500, Fernando está de volta, de maneira surpreendente. Como personagem, continua sendo grande. Ainda pode ser grande no desempenho também nas pistas? É uma pergunta que começa a ser respondida no ano que vem.

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