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Lado a Lado

Os possíveis novos destinos da Fórmula 1 em 2020

A principal categoria do automobilismo mundial acena com novas corridas na Europa para inflar o calendário de 2020. Alguns destinos são velhos conhecidos, mas há outros onde a F1 jamais correu

Depois que a Fórmula 1 divulgou a primeira parte do calendário revisado para a temporada 2020, que vai começar em 5 de julho na Áustria, fica a questão: para onde a categoria vai depois do GP da Itália, marcado para 6 de setembro?

As dúvidas são muitas, sobretudo em razão da incerteza sobre muitos países que figuram no cronograma original traçado pela categoria para o campeonato, como Estados Unidos, México e Brasil, mas também em razão da operação logística para levar a caravana a destinos como Japão, China e Vietnã.

Ross Brawn, diretor-esportivo da Fórmula 1 e figura-chave da gestão do Liberty Media, revelou recentemente ao site britânico ‘RaceFans’ que, embora não seja o plano A, considera realizar mais corridas na Europa no que seria a segunda parte do calendário. E o britânico mencionou quatro circuitos em especial: Hockenheim, Mugello, Ímola e Jerez.

Hockenheim é uma velha conhecida da Fórmula 1 e, no ano passado, foi palco da melhor corrida da temporada. Ímola não é um lugar que traz as melhores lembranças, mas o traçado italiano recebeu, nos seus últimos anos de F1, na década passada, duelos entre Fernando Alonso e Michael Schumacher.

Jerez, travado circuito espanhol localizado na bela Andaluzia, se notabilizou muito mais por ser sede de testes coletivos, já que a última vez em que abrigou uma etapa do Mundial foi em 1997, no ano do lendário empate triplo na classificação entre Schumacher, Jacques Villeneuve e Heinz-Harald Frentzen.

A novidade na lista citada por Brawn é Mugello. O velocíssimo circuito italiano, que é localizado na não menos bela Toscana, costuma receber alguns testes privados da Ferrari e também abriga categorias de base, mas jamais foi palco de uma etapa da F1. O traçado fica mesmo em evidência por conta da MotoGP, que lá promove o seu GP da Itália, o mais rápido do ano. Foi em Mugello que Andrea Dovizioso cravou o recorde absoluto de velocidade da classe-rainha do Mundial de Motovelocidade.

Neste cenário, em que a temporada 2020 se desenha cada vez mais para ser disputada somente na chamada Eurásia, o GRANDE PREMIUM traz em detalhes cada um dos circuitos sugeridos por Brawn para a sequência do calendário e acrescenta uma ‘bonus track’ de outra pista que vestiria bem demais uma etapa da Fórmula 1.

Hockenheim
 

O traçado alemão dispensa maiores apresentações. Entre 1970 e 2019, a Fórmula 1 já realizou 37 GPs no circuito, sendo 12 na atual versão da pista, mais encurtada em relação ao projeto original.

Com 4.574 m de extensão, Hockenheim se apresenta como uma opção muito plausível para o Mundial por vários aspectos. Primeiro, pelo fator logístico, já que está no coração da Europa. Segundo, porque as equipes e os pilotos gostam da pista, que costuma render ótimas corridas.

Como não lembrar o incrível GP da Alemanha do ano passado? Tanto que, quando o calendário de 2020 foi anunciado com a ausência de Hockenheim — pela falta de patrocinador —, muita gente lamentou. Mas talvez seja possível ver a pista alemã ainda nesta temporada.
(Divulgação/Red Bull Content Pool)

Ímola
 

Autodromo Internazionale Enzo e Dino Ferrari. Este é o nome oficial do autódromo de Ímola, localizado na Itália, distante 40 km de Bolonha. Claro que as principais lembranças sobre o circuito nos levam a 1994 e todo o fim de semana trágico que ceifou as vidas de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna.

Como curiosidade, vale lembrar que Ímola recebeu o único GP da Itália da F1 que não foi realizado em Monza. Foi em 1980, quando o icônico circuito cravado na Lombardia passou por reformas para aumentar a segurança depois do acidente fatal de Ronnie Peterson dois anos antes.

Ímola continuou desde então no calendário. Para manter duas etapas na Itália, a solução adotada pela F1 foi batizar a prova como GP de San Marino. O traçado passou por modificações profundas depois de 1994, e trechos rápidos como as curvas Tamburello e Villeneuve foram convertidos em setores mais lentos.

A F1 não corre em Ímola desde 2006, mas categorias de base como a F4 e a F-Regional Europeia ainda aceleram lá, assim como algumas competições regionais de motovelocidade. Atualmente, a pista tem extensão de 4.909 m.

Jerez
 

Barcelona recebe o GP da Espanha desde 1991 e se consolidou, com o passar dos anos, como a principal praça do esporte a motor do país ibérico. Antes, o posto cabia a Jerez de la Frontera.

O circuito andaluz recebeu a F1 em sete oportunidades: entre 1986 e 1990, como palco do GP da Espanha; e em 1994 e 1997 como destino do GP da Europa.

Jerez segue sendo um palco muito importante do esporte a motor. Provável base da etapa de abertura da MotoGP em julho, a pista de 4.428 m de extensão recebe diversas categorias e também é uma importante base para a realização de testes ao longo do ano.

 
(Teste da F1 em Jerez de la Frontera)

Mugello
 

De todas as pistas sugeridas por Ross Brawn como alternativas para manter a F1 por mais tempo na Europa depois de setembro, Mugello é, de longe, a mais rápida. Dotada de um trecho de reta de 1.141 m, o circuito tem um total de 5.245 m de extensão. Foi lá que, no ano passado, Andrea Dovizioso cravou o recorde absoluto de velocidade em um fim de semana oficial de MotoGP ao registrar 356,7 km/h, justamente no fim da reta.

A Fórmula 1 jamais correu oficialmente em Mugello, mas a pista costuma ser base esporádica de testes, principalmente da Ferrari. Em 2004, Rubens Barrichello registrou a volta mais rápida de sempre no circuito italiano: 1min18s704, com velocidade média de 239 km/h.
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É comum, além das competições do Mundial de Motovelocidade, Mugello receber também inúmeras corridas das categorias de base e de turismo, sendo hoje a segunda praça mais tradicional do esporte a motor na Itália, só atrás de Monza.

Se você quer uma corrida marcada por alta velocidade o tempo todo, torça para a F1 confirmar Mugello no calendário. Mas o recente cancelamento do GP da Itália de MotoGP, que aconteceria no circuito, sugere que a possibilidade pode não estar tão próxima assim.
 

(Mugello (Foto: Michelin))

Portimão
 

Em 2020, o Autódromo Internacional do Algarve recebeu o chamado grau 1, homologação máxima concedida pela FIA e que habilita um circuito a receber uma etapa do Mundial de Fórmula 1.

A homologação permite, portanto, que Portimão, localizada no litoral português, possa novamente colocar o país no calendário do Mundial. A última vez que o GP de Portugal aconteceu foi em 1996, no lendário Estoril, também no litoral lusitano, com vitória de Jacques Villeneuve.

Inaugurado em 2008, o Autódromo do Algarve tem pista com extensão total de 4.684 m, sendo 969 m só da reta principal do circuito. O traçado é bastante seletivo e com muitas subidas e descidas, sendo composto por 16 curvas — nove para a direita e sete para a esquerda.

A pista, que já recebeu até a Porsche Cup brasileira e espera realizar uma rodada tripla do Mundial de Superbike em agosto, almeja sediar ao menos um teste privado com equipes da F1 no fim do ano e quer vencer a concorrência com Barcelona para levar a pré-temporada no ano que vem. A ideia da gestão liderada por Paulo Pinheiro sonha em aproveitar a abertura do calendário para voltar a colocar Portugal no mapa da F1 depois de 24 anos.

Inaugurado em 2008, o Autódromo Internacional do Algarve hoje pode receber uma etapa da F1 (Lewis Hamilton guiou a McLaren em Portugal na inauguração do Algarve, em 2008 (Foto: Reuters))

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