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Österreichring: ontem e hoje

A tão aguardada abertura da temporada 2020 da F1 coube à Áustria, país de tradição no automobilismo. A casa é o Red Bull Ring, versão moderna do Österreichring do fim da década de 1960. Quais são as semelhanças e as diferenças entre os dois?

O Österreichring é o antecessor do Red Bull Ring moderno (Foto: Reprodução/Twitter)

Já se vão 51 anos desde 1969, ano em que nasceu o mais icônico autódromo austríaco. Na ocasião, o país buscava uma opção ao traçado do Aeroporto de Zeltweg, que não era lá muito apropriado. Nascia o Österreichring: veloz e com marcantes mudanças de elevação, logo seria uma pista icônica para a Fórmula 1. Tanto é verdade que, décadas depois, a categoria volta ao autódromo para uma corrida muito importante. Mas é realmente o mesmo autódromo?

Bem, não. A resposta curta é essa. A resposta longa é que, apesar de carregar o mesmo espírito, o Red Bull Ring traz desafios distintos da versão original do Österreichring.

Com o primeiro treino livre da temporada 2020 já meras 24 horas distante, o GRANDE PREMIUM compara: quais são as diferenças entre a versão original e a atual da casa do GP da Áustria?

F1 2019 ÁUSTRIA RED BULL RING
O GP da Áustria acontece no Red Bull Ring, casa tradicional da F1 (Foto: Reprodução/Twitter)

Österreichring (1969-1976)

O Österreichring nasceu com propósito claro: ser um circuito de alta velocidade e com curvas de raio longo. Era moda na F1 da época, vide Zandvoort, Hockenheim e Monza. No caso do traçado austríaco, havia uma variante extra: as diversas mudanças de elevação, consequência das montanhas da região. Essa foi a chave para criar um traçado com ‘flow’ único.

A primeira curva já dava noção disso. Depois de uma reta de aproximadamente 1 km, a curva Hella Licht era o primeiro desafio. O trecho era como uma Tamburello invertida, também de pé embaixo. Na sequência, outra curva de raio longo: a Tirok, que exigia apenas uma freada não muito brusca na entrada antes de voltar a pisar fundo.

Como reta pouca é bobagem, a saída da curva leva a uma nova reta de mais 1 km. Depois de subir a ladeira no primeiro setor, este é o ponto mais alto do traçado original. A aproximação da curva Bosch traz uma ladeira de respeito. O desafio é grande na freada: é necessário guinar um pouco para a esquerda, cuidar para não travar pneus e só depois virar para a direita. A saída da curva tem um pequeno banking, que ajuda o piloto a pisar fundo ainda cedo.

O próximo desafio é a sequência das curvas Texaco. Primeiro uma para a esquerda em descida, mas com velocidade menos do que as anteriores, e depois mais uma para a esquerda, mas agora levando a trecho de subida, passando por uma leve curva para a esquerda. Não são pontos de ultrapassagem, servindo mais para testar a então precária aerodinâmica dos bólidos.

Uma nova reta de tamanho moderado leva à curva Jochen Rindt, então o maior ídolo do automobilismo local. A curva tinha zero área de escape e era um pouco mais fechada do que as demais. Depois, novamente a reta principal de 1 km.

Esse traçado resistiu até 1976. Em 1977, decidiu-se pela instalação de uma chicane na primeira curva, controlando um pouco mais as altas velocidades. Seriam mais dez anos com essa configuração, isso até o GP da Áustria deixar o calendário em 1987, levando a um período turbulento da história do autódromo.

Red Bull Ring (1996-)

O traçado original, mesmo com a chicane, era excelente. Só que havia uma nova preocupação: a estrutura do autódromo ficou defasada, trazendo problemas de segurança. Uma reforma seria necessária para atender novas exigências do automobilismo. Foi aí que, com projeto de Hermann Tilke e dinheiro da companhia telefônica A1, o circuito renasceu.

O novo traçado ainda lembrava o original, mas com mudanças evidentes. A reta principal ficou mais curta, com a primeira curva agora sendo mais fechada e de raio curto. Agora era necessário frear com força antes de entrar na reta seguinte. Esta leva à curva 2, que é o principal ponto de ultrapassagem. Mais fechado, o trecho promove disputas para ver quem consegue frear mais tarde e tomar a posição. Em contrapartida, o trecho ganhou características de hairpin, com menos velocidade do que antes. O mesmo aconteceu com a terceira curva, outro bom ponto de ultrapassagem, mas que perdeu o raio longo de outrora.

Aí chegamos a um trecho do autódromo que manteve características originais. A curva 4 ainda é parecida com a original, de pé embaixo e leve guinada à direita. O complexo Texaco, das curvas 5 e 6, é essencialmente o mesmo: duas curvas à esquerda, com a segunda mal precisando de freada.

Depois de uma leve mudança de direção na 7, chegamos ao complexo final da volta. A curva 8 ainda é de média para alta velocidade, exigindo cuidado dos pilotos tanto para não atacar demais as zebras quanto para não se enroscar com alguém entrando no pit-lane. Na 9, a volta chega ao fim com uma nova guinada de raio curto, de novo levando competidores a desafiar os limites da pista. Com retas mais curtas, a volta passou a ter apenas um pouco mais do que um minuto de duração.

O A1 Ring seguiu existindo até 2003. A companhia telefônica desistiu de bancar a brincadeira, o que levou à destruição da estrutura dos boxes e das arquibancadas em 2004. É aí que entra a Red Bull, marca austríaca de energéticos, que comprou o terreno em 2008.

As reformas duraram dois anos e foram restritas às arquibancadas e aos boxes. O traçado seguiu idêntico. Depois de algumas corridas de DTM no começo da década, ficou claro que era hora de mirar o retorno ao calendário da F1. Este veio em 2014, com o primeiro GP da Áustria em uma década. E agora, em 2020, contamos as horas até a realização da primeira corrida em sete meses.

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